Terapia focal no câncer de próstata: opções e limites

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A terapia focal no câncer de próstata procura tratar uma região do órgão, em vez de retirar ou tratar toda a glândula. A proposta é reduzir o impacto do tratamento, mas isso não garante a preservação da continência ou da ereção. A decisão exige discutir o controle do câncer e as limitações das evidências disponíveis.

O que muda entre HIFU e eletroporação?

O HIFU utiliza ultrassom focalizado de alta intensidade para aquecer e destruir o tecido tratado. A eletroporação irreversível, também conhecida pela sigla IRE, utiliza pulsos elétricos aplicados por agulhas. São técnicas diferentes, com indicações, limitações e riscos próprios. Nenhuma é isenta de complicações.

Quem pode considerar a terapia focal?

Não basta ter um tumor pequeno ou querer evitar uma cirurgia. A avaliação considera a localização e a extensão do câncer, sua agressividade, a saúde geral e as alternativas disponíveis. Ressonância e biópsias ajudam a definir se existe doença relevante fora da região que se pretende tratar.

Para muitos tumores de baixo risco, a vigilância ativa deve fazer parte da conversa. Ela não significa abandonar o tratamento: é acompanhamento programado, com possibilidade de intervenção quando indicada. Cirurgia e radioterapia também precisam ser discutidas conforme o caso.

É um tratamento equivalente à cirurgia?

Ainda faltam comparações robustas de longo prazo para recomendar terapia focal de forma irrestrita. A diretriz europeia orienta HIFU focal e crioterapia em registros prospectivos, e outras modalidades ablativas em estudos clínicos bem desenhados. Resultados de grupos selecionados não garantem o mesmo resultado para toda pessoa com câncer de próstata.

Quais são os riscos?

Podem ocorrer dor, sangramento, alterações urinárias e perda de função sexual. Algumas técnicas também podem lesar estruturas próximas. É necessário perguntar sobre os riscos do procedimento proposto, a experiência da equipe e a possibilidade de precisar de outro tratamento.

A promessa de “preservar a função urinária e sexual” não deve ser entendida como certeza. O objetivo de reduzir efeitos adversos precisa ser considerado junto com a segurança oncológica.

Como é o acompanhamento depois?

Parte da próstata permanece no organismo. Portanto, o PSA não deve ser interpretado como após a retirada completa da glândula. O seguimento inclui avaliação clínica, PSA, imagem e biópsias conforme o protocolo. Um PSA baixo, sozinho, não comprova a ausência de tumor residual ou de recorrência.

O plano de acompanhamento deve ser explicado antes do procedimento, incluindo o que fazer se houver doença na região tratada ou em outra área da próstata.

O que perguntar na consulta

  • Por que essa opção seria adequada ao meu tumor?
  • Quais são as alternativas, incluindo vigilância ativa?
  • Que evidências existem para a técnica proposta?
  • Como serão o acompanhamento e um eventual novo tratamento?

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Referências

Conteúdo educativo atualizado em 20/09/2026. Não substitui avaliação médica individual.

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Dr. Ivan Kirche, urologista · CRM-SP 174.113 | RQE 109.336.