A ressecção transuretral de bexiga, também chamada de RTU de bexiga ou RTU-B, é o procedimento mais importantes na avaliação de tumores da bexiga. Essa importante técncia cirúrgica, muitas vezes subestimada, apresenta importante papel diagnóstico, terapêutico e de estadiamento, ou seja, ajuda a confirmar o tipo de lesão, remover o tumor visível e orientar os próximos passos do tratamento.
Recentemente tive o prazer de dar uma aula para colegas urologistas da America Latina sobre atualizações na técnica e como otimizar o procedimento. A final, com a evolução da medicina as técnicas cirúrgicas também evoluem e com isso permitem oferecer melhores resultados.
Como a ressecção é realizada
A RTU de bexiga é feita por via endoscópica, sem corte externo. O urologista introduz um aparelho pela uretra até a bexiga, visualiza a lesão por dentro e realiza a ressecção com instrumental específico. O material retirado é enviado para análise anatomopatológica, que informa características essenciais, como tipo do tumor, grau e profundidade de invasão.
A técnica exige atenção a detalhes. O objetivo não é apenas retirar o que aparece na superfície. É muito importante obter uma amostra adequada da base da lesão, incluindo músculo da bexiga, para que o patologista consiga avaliar se há invasão mais profunda. Essa informação muda completamente a estratégia de tratamento.
Por que a qualidade da RTU importa
No câncer de bexiga, uma ressecção bem feita pode impactar diagnóstico, planejamento e acompanhamento. Quando a amostra é insuficiente ou quando há dúvida sobre profundidade, pode ser necessário repetir o procedimento para completar a avaliação. Em tumores de maior risco, essa segunda avaliação pode ser decisiva.
Durante a cirurgia, o urologista também se preocupa com mapeamento da bexiga, controle de sangramento, preservação de estruturas importantes e segurança do paciente. Depois do procedimento, pode ser necessário manter sonda por um período, observar a urina e acompanhar sintomas como ardor, frequência urinária ou pequenos sangramentos, que podem ocorrer no pós-operatório.
O que estamos atualizando?
Antes a técnica de ressecção era realizada de maneira que a alça cirúrgica/endoscópica “trazia” o tecido, hoje buscamos utilizar a alça para delimitar a margem da lesão com > 5 mm e ressecar essa área por inteiro, sem fragmentar a lesão, também chamada de ressecção “en bloc”. As últimas revisões sistemáticas e artigos prospectivos sorbe o tema demonstraram uma menor taxa de recidiva e melhor qualidade da amostra, com uma maior taxa de fragmento muscular na amostra, permitindo um estadiamento mais completo e muitas vezes podendo omitir o que chamamos de Re-RTU, que seria a realização de um novo fragmento para avaliar e ressecar fragmentos residuais do tumor.
A técnica também pode garantir menos perfuração vesical e complicações, entretanto, não deve ser aplicada a todos os pacientes e recomenda-se um mínimo de 50 casos de experiência para o cirurgião.
A importância de procurar avaliação especializada
Sangue na urina nunca deve ser ignorado, mesmo quando aparece apenas uma vez e desaparece. Embora existam causas benignas, esse sintoma pode estar relacionado a tumores urológicos e precisa ser sempre investigado com seriedade.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de sintomas urinários, lesão suspeita na bexiga ou diagnóstico de câncer de bexiga, procure avaliação com um urologista.
Referências
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- Basile G, Uleri A, Leni R, et al. En Bloc Versus Conventional Transurethral Resection of Bladder Tumors: A Systematic Review and Meta-analysis of Oncological, Histopathological, and Surgical Outcomes. European Urology Oncology. 2025;8:520-533. doi:10.1016/j.euo.2024.10.004
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