Refrigerante causa pedra nos rins? O que os estudos mostram

Lupa diante de uma lata coral sem marca, iluminada por uma luminária, ao lado de um copo de água.

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Refrigerante causa pedra nos rins? O consumo frequente de versões açucaradas está associado a maior risco de formar cálculos. Isso não significa que uma lata provoque uma pedra, nem permite concluir que a bebida foi a causa de uma crise específica. Para quem quer prevenir novos episódios, reduzir esse consumo e priorizar água é uma escolha coerente com as orientações atuais.

A dúvida costuma aparecer depois de um exame ou de uma cólica: “Preciso parar de tomar? E o zero?”. A resposta depende do que se está comparando. Bebidas com açúcar, versões com adoçantes e água não têm a mesma composição, e os estudos não permitem colocar todas no mesmo grupo.

O que foi observado com os refrigerantes açucarados?

Um estudo publicado em 2013 acompanhou 194.095 participantes de três grupos de profissionais de saúde nos Estados Unidos. O consumo mais frequente de refrigerantes açucarados, tanto do tipo cola quanto de outros sabores, esteve associado a maior ocorrência de pedras nos rins.

Era uma pesquisa observacional: os participantes informavam seus hábitos, sem sorteio para beber determinada quantidade. Os pesquisadores consideraram vários outros fatores, mas ainda pode haver diferenças entre os grupos que influenciaram o resultado. A população era predominantemente branca, e nem todos os cálculos tiveram sua composição identificada. A associação é relevante, mas não prova, sozinha, causa e efeito para cada pessoa.

Também não existe, a partir desses dados, uma quantidade semanal que possa ser anunciada como “livre de risco”. O sentido prático é olhar para o hábito repetido, em vez de atribuir uma crise ao último copo ingerido.

Parar de tomar ajuda quem já teve cálculo?

Há um estudo com intervenção, publicado em 1992, que incluiu 1.009 homens que já tinham apresentado cálculo urinário e bebiam refrigerante regularmente. Os participantes foram sorteados: metade recebeu orientação para deixar a bebida; a outra metade serviu como comparação. Ao longo de três anos, o grupo orientado a parar teve menos recorrências.

Esse resultado apoia a redução do consumo, mas tem limites: é um estudo antigo, feito em homens, com hábitos e bebidas daquela época. Não determina o efeito de cada marca ou de cada formulação disponível hoje. A diretriz da Associação Europeia de Urologia considera essa evidência sobre refrigerantes limitada e recomenda reduzir essas bebidas dentro de um plano mais amplo de prevenção.

Refrigerante zero também causa pedra nos rins?

No estudo de 2013, os resultados para bebidas com adoçantes foram menos consistentes que os observados para versões açucaradas. Eles não justificam dizer que o zero causa cálculos da mesma maneira, nem que protege os rins.

A ausência de açúcar é uma diferença real, mas não transforma o produto em tratamento preventivo. Para organizar a hidratação cotidiana, a água continua sendo a bebida preferencial. Não é necessário escolher um refrigerante “mais seguro para os rins” como estratégia principal de prevenção.

O que mudar na prática

Uma forma simples de começar é observar quando a bebida entra na rotina: acompanha todas as refeições, fica ao lado da mesa de trabalho ou substitui a água durante o dia? Esse registro ajuda a escolher uma mudança que caiba na vida real, como deixar água disponível nas refeições e reduzir a compra habitual de refrigerantes.

Para quem forma cálculos, a EAU recomenda ingestão de líquidos suficiente para produzir mais de 2,5 litros de urina em 24 horas. Volume de urina não é igual ao volume bebido. Calor, suor e atividade física mudam essa relação. Quem recebeu orientação para restringir líquidos precisa combinar a meta com a equipe assistente.

A prevenção também depende do tipo de pedra e dos resultados da avaliação. Trocar a bebida, por si só, não corrige todos os fatores envolvidos. Redução de sal e manutenção adequada do cálcio alimentar podem fazer parte do plano; explicamos essa diferença no artigo sobre leite, cálcio e alimentação para quem tem pedra nos rins.

E se já houver dor?

Mudar a bebida é uma medida preventiva, não uma solução para uma obstrução em andamento. O tratamento de uma pedra depende de tamanho, localização e composição. Dor intensa, vômitos persistentes ou dificuldade importante para urinar exigem avaliação, sem esperar uma mudança de alimentação resolver o problema. Se a dor vier com febre ou calafrios, procure atendimento urgente. Veja também onde dói a pedra nos rins e quais sinais merecem atenção.

O objetivo é reduzir um hábito modificável sem transformar a alimentação em uma lista de culpados. Quem teve uma pedra pode usar a consulta para entender seu tipo de cálculo e definir quais mudanças realmente se aplicam ao seu caso.

Conteúdo educativo. Não substitui avaliação individual. Dr. Ivan Kirche, CRM 174.113, RQE 109.336.

Referências

  1. Ferraro e colaboradores. Soda and Other Beverages and the Risk of Kidney Stones. CJASN, 2013. Texto completo aberto.
  2. Shuster e colaboradores. Soft drink consumption and urinary stone recurrence: a randomized prevention trial. Journal of Clinical Epidemiology, 1992. Resumo aberto.
  3. European Association of Urology. Urolithiasis: metabolic evaluation and recurrence prevention. Diretriz consultada em 19/09/2026.
  4. NIDDK. Treatment for Kidney Stones. Orientações sobre tratamento e prevenção.

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